O missionário preso no Líbano foi condenado por compartilhar o Evangelho e encorajar as pessoas a acreditar em Deus.
Homem identificado como Jeff Wilson na prisão. (Foto: Reprodução/Facebook/Immigrants Situation in Libya) |
Na última quarta-feira (12), a Agência de Segurança Interna da Líbia anunciou que um americano missionário da Assembléia de Deus foi detido por uma milícia por "incitar nossos filhos a renunciar ao islamismo e se converter ao cristianismo".
O cidadão americano, identificado pela mídia líbia como Jeff Wilson, fundador e chefe da empresa de consultoria Lebanon Business, trabalhava como professor de inglês em uma escola particular na capital do país norte-africano, Trípoli.
A agência de notícias francesa AFP confirmou a prisão do professor.
"O Departamento de Estado dos EUA e nossas embaixadas e consulados no exterior não têm maior prioridade do que a segurança dos cidadãos americanos fora do país", disse um porta-voz do Departamento de Estado.
E acrescentou: "Quando um cidadão americano é detido no exterior, o Departamento trabalha para fornecer toda a assistência apropriada”.
O porta-voz do Departamento de Estado incentivou os americanos a se inscreverem em um site disponibilizado pela Embaixada dos EUA para suporte em casos de emergências nas viagens ao exterior.
Afirmação do missionário
O The Libyan Observer, uma agência de notícias da Líbia, postou uma imagem em sua página no Facebook, mostrando o suposto cidadão americano com o rosto desfocado.
“Ontem, a Agência de Segurança Interna da Líbia prendeu uma base nacional dos EUA na Líbia! Professor na ‘Gateway English School em Trípoli', por dirigir um grupo missionário secreto para a propagação da fé cristã na sociedade muçulmana da Líbia”, diz a legenda.
De acordo com a CBN News, o homem confirmou suas atividades no país:
"Estou sendo condenado por compartilhar o Evangelho com os líbios. Eu falo sobre Jesus e encorajo as pessoas a acreditarem em Deus. É por isso que estou sendo condenado".
Segundo a AFP, a Agência de Segurança Interna também prendeu dois cidadãos líbios por "renúncia ao Islã" e por "apostasia e promoção do ateísmo".
Legislação islâmica na Líbia
De acordo com o Relatório de 2021 do Departamento de Estado sobre Liberdade Religiosa na Líbia, o Islã é a religião oficial do estado e a dura lei islâmica da Sharia (conjunto de normas derivado de orientações do Corão, falas e condutas do profeta Maomé) é a principal fonte de legislação.
A circulação de materiais religiosos não islâmicos, atividade missionária ou discurso considerado "ofensivo aos muçulmanos" são totalmente ilegais no país.
"O código criminal efetivamente proíbe a conversão do Islã, de acordo com estudiosos e defensores dos direitos humanos", informou o relatório.
O relatório explicou que as Forças Especiais de Dissuasão (SDF), uma milícia salafista (movimento ortodoxo, internacionalista e ultraconservador dentro do islamismo sunita), alinhada com o Governo de Unidade Nacional (GNU) em Trípoli, está engajada no policiamento religioso islâmico na capital.
“De acordo com ativistas de direitos humanos, o SDF continuou estar envolvido em várias prisões e detenções de indivíduos acusados de violar a lei islâmica", continuou o relatório.
A Líbia está em 5º lugar na lista de observação mundial da missão Portas Abertas de países onde é perigoso ser um seguidor de Jesus Cristo:
“A Líbia é efetivamente uma terra sem lei, onde tanto os cristãos nativos quanto aqueles que passam de outros países enfrentam violência extrema. Sem um governo central para manter a lei e a ordem, grupos extremistas islâmicos militantes e grupos do crime organizado detêm o poder", afirmou a missão.