Cartaz em campo de refugiados pede morte de pastores em Bangladesh: “Achem e cortem eles”

Os cristãos da etnia Rohingya, apoiados pela missão brasileira Etnos, estão sendo ameaçados por islâmicos dentro do maior campo de refugiados no mundo.

Cartazes pedem a morte de líderes cristãos no campo de refugiados. (Foto: Etnos).

Um líder islâmico espalhou cartazes pedindo a morte de dois pastores e outros oito cristãos, no maior campo de refugiados do mundo, localizado em Cox's Bazar, em Bangladesh.

Em entrevista exclusiva ao Guiame, Raphael Florenciano, o líder da missão brasileira Etnos – que atua na região – contou como os cristãos estão lidando com as recentes ameaças.

Raphael explicou que o campo de Kutupalong abriga mais de 1 milhão de refugiados, a maioria da etnia muçulmana Rohingya. 

“O povo Rohingya não tem nem o status de refugiados, porque são de uma etnia considerada apátrida. Eles não são considerados cidadãos em nenhum país do mundo, nem por Mianmar, nem por Bangladesh”, afirmou o líder, que é especialista em Relações Internacionais.

Cristãos apátridas

Durante décadas, a etnia viveu nas montanhas entre Mianmar e Bangladesh, porém quando Mianmar conquistou sua independência, após a Segunda Guerra Mundial, os Rohingya não foram reconhecidos como cidadãos do país e foram classificados como “ilegais”.

Por volta de 2013, o governo iniciou uma tentativa de limpeza étnica do povo Rohingya. Aldeias foram destruídas e muitos morreram, forçando os moradores sobreviventes a deixarem Mianmar.

Milhares de pessoas buscaram abrigo em Bangladesh, que precisou montar um campo de refugiados. 

“Eles são mantidos ali como uma fazenda de seres humanos a céu aberto, onde não existe poder de polícia. Eles vivem na lei do mais forte, é algo absurdo”, relatou Raphael.

Muitos Rohingya são vítimas de gangues dentro do campo, que os capturam para o tráfico humano sexual e o tráfico de órgãos. 

Uma igreja dentro do campo de refugiados

Nesse contexto crítico, estão cerca de 200 cristãos Rohingya, que são minoria entre a maioria muçulmana. 

A missão Etnos ajudou essa comunidade cristã a formar igrejas e estava dando treinamento de evangelização e desenvolvimento comunitário, quando precisou adiar o projeto por motivos de segurança.

No início deste ano, um líder islâmico espalhou cartazes pedindo a morte de dois pastores e oito cristãos da igreja do campo de Kutupalong.

O material, que também foi divulgado no Facebook, critica a comunidade cristã Rohingya por realizar cultos e evangelismo dentro do campo. O cartaz ainda condena o trabalho de tradução da Bíblia que estavam fazendo.

As fotos dos dois pastores e dos oito cristãos foram exibidas no material junto com o desenho de uma forca.

Além disso, líderes muçulmanos gravaram vídeos incitando o linchamento e divulgando dados dos cristãos.

"Consiga o endereço dos cristãos nos campos. Amarrem eles dos pés à cabeça e os cortem até que não existam mais. Cortem até que nenhum osso esteja mais conectado. Se apressem para identificar os cristãos no campo. Então aqueles que se converteram verão isso e ficarão em silêncio”, disse um dos líderes, em um vídeo compartilhado no Facebook e em grupos de Whatsapp.

Hoje, os cristãos ameaçados estão escondidos e não circulam dentro do campo. “Eles estão vivendo a situação de maior risco em seus 10 anos no campo de refugiados. A ONU trouxe as famílias [dos cristãos ameaçados] para dentro de uma seção do campo que é mais restrita, para pessoas que estão em maior vulnerabilidade”, contou Raphael.


Líder islâmico ameaçando os cristãos em vídeo divulgado nas redes sociais. (Foto: Reprodução/Redes Sociais).

A Etnos está pedindo oração pela proteção dos cristãos perseguidos. A missão também possui uma rede de intercessores que ora constantemente pela situação em Bangladesh.

“Precisamos das suas orações. Separe um tempo para orar pelos cristãos Rohingyas”, afirmou a missão.

O líder da Etnos explicou que não é possível retirar os cristãos do campo de Kutupalong, porque eles são apátridas e estão aguardando para serem chamados pelo programa de reassentamento da ONU.

“Não existe uma maneira legal [de retirá-los], porque para você dar um visto para uma pessoa é preciso que ela tenha um passaporte. Só que hoje não existe uma autoridade no mundo que emita passaporte para essas pessoas”, comentou Raphael.


A Etnos também serve refugiados paquistaneses em Bangkok, na Tailândia. Obreiros nativos, apoiados pela missão, têm evangelizado tailandeses budistas, indianos hindus e indianos sikhs.

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